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Imagem não, imagem não

Esta semana estou traduzindo um protocolo de pesquisa clínica e aconteceu uma coisa que volta e meia me pego fazendo. Ao fazer pesquisas terminológicas na internet, dependendo do que estou pesquisando, antes de clicar em “Pesquisar” começo a recitar um mantra mental: imagem não, imagem não, imagem não.
Há três principais categorias de pesquisa que desencadeiam meu mantra.

1) Escatologia. Os médicos conversam entre si muito casualmente sobre escarro, fezes amolecidas com sangue oculto, odores, vômitos, secreções de diversas cores saindo de vários lugares do corpo.
2) Açougue. Adoro protocolos de cirurgia ou instruções de uso de cateteres com ilustrações desenhadas. Corte aqui, aparafuse ali, insira acolá, avance o cateter, feche o tecido em camadas.
3) Pornografia. Alguns estudos clínicos nos quais trabalhei tinham como população-alvo pessoas com risco de exposição sexual. Há um tempo precisei procurar como era o nome “formal” para o sexo que chamávamos de ativo e passivo (vaginal ou anal insertivo/receptivo). Nesta categoria a gente também lê coisas muito interessantes. Um texto que traduzi trazia uma lista de perguntas a serem respondidas por pessoas que nasceram mulheres ou nasceram homens, ou seja, pertinentes ao sexo anatômico ao nascer e não ao gênero.

Mas eu, Juliana, tenho uma confissão a fazer: tenho aflição de algumas pesquisas dermatológicas e oftalmológicas que faço. Tenho um bloqueio danado com coisas nos olhos, não consigo pingar colírio nos meus (nos dos filhos já aprendi, meu filho é campeão em acordar com olho inchado) e fico com os olhos lacrimejando só de ver alguém com cisco no olho. Adivinhem o que chegou de trabalho esta semana? Um enorme e prolixo protocolo de pesquisa clínica oftalmológico! Nessas horas, além do mantra, a única coisa que sempre repito é: ainda bem que saí da faculdade de medicina!

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1 Response to “Imagem não, imagem não”


  1. 1 Nabila de Oliveira da Silva
    14 de abril de 2011 às 6:17 pm

    Já ouvi algumos comentários sobre tradutores que se surpreendem na hora da tradução, mas o seu caso é bem cômico, e por que não, nojento!
    Bom,segue firme.
    Faço letras e sou bem interessada em tradução.
    Gostaria de algumas informações sobre tradução técnica.
    Obrigada.


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