Archive for the 'Geral' Category

05
abr
11

Do que cabe na vida em 6 meses

Recentemente, tenho ouvido cada vez mais dos nossos colegas reclamações sobre a postura excessivamente marketeira de alguns outros colegas nossos. É gente que não consegue falar de nada além de si mesmo, que não interage se não for para fazer um “jabá”. Criaram até uma premiação o Turíbulo de ouro. Tem também aquela agência de tradução que faz uma contrapropaganda, enviando e-mails a todos os contatos (inclusive tradutores) com promoções do tipo “leve 3 e pague 2 traduções”. É um tiro pela culatra.
Enquanto isso, estou sem vir aqui nem fazer comentários no twitter há 6 meses. Mal e porcamente acompanho o janelão, às vezes o twitter. E nunca trabalhei tanto como nos últimos 6 meses. Foi Natal, virada do ano, carnaval, tudo trabalhando, para isso precisei cortar algumas coisas da minha vida.
É que às vezes, a gente precisa deixar a vida da gente tomar conta. Se eu ainda por cima me forçasse a escrever aqui, me manter atualizada, ler todos os artigos, blogs, newsletters, listas de discussão etc. e tal, o que seria da minha vida? Minha vida NÃO é apenas trabalho. A parte mais importante dela está aqui, nos bastidores. Basta dizer que preteri o blog, mas viajei com a minha família, fiz o peru de Natal, minha sogra operou e passei algumas tardes com ela no hospital, mantenho uma rotina saudável de namorar meu marido sempre que posso, acompanho o dever de casa dos meus filhos, levo pra natação, equitação, futebol, violão, balé, inglês, francês (a prole é grande, pra quem não sabe), converso com a minha adolescente que vai prestar vestibular este ano. Em compensação, não ia à manicure desde janeiro. Estou tendo o prazer de digitar essas linhas com as unhas coloridas pulando no teclado. E vou tentar o meio termo entre o auto-incensamento e o desaparecimento completo, vou praticar pequenos atos de rebeldia na rotina insana. A ver se consigo.

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19
jul
10

Carteiras de clientes

Numa lista de discussão da ATA, alguém perguntou de quantos clientes precisaria para viver de tradução e poder largar o emprego. As perguntas foram:

• De quantos clientes um tradutor precisa para se manter ocupado e se sustentar?
• Faz sentido ampliar minha base de clientes? Quanto mais?
• Como equilibrar o aumento no número de clientes e nossa disponibilidade, se pensarmos que não adianta termos 200 clientes, e estarmos sempre ocupados para a maioria deles, que vão acabar decidindo não nos procurar mais.

Algumas pessoas responderam dizendo que quanto mais clientes melhor, mas que sim, é preciso cuidado para estar sempre disponível para os melhores. Além disso, alertaram para não contarmos com apenas 2 ou 3 clientes para todo o serviço (ou grande parte) que fazemos, porque se um desses clientes quebra, decide arranjar um tradutor mais barato ou é vendido para outra empresa, por exemplo, podemos ficar em maus lençóis.

Outra pessoa falou de um sistema de classificação de clientes em pirâmide. No topo da pirâmide estão os clientes A, os melhores, que pagam bem, são profissionais e têm projetos interessantes, ou dos quais você gosta mais e tem lá seus motivos pra isso. Em seguida os clientes B e na base da pirâmide os clientes C. Os clientes A são sempre prioridade, e você sempre deve tentar estar disponível para eles. Se estiver sem trabalho dos seus clientes A, você pode prestar serviço para os clientes B e só depois de esgotadas suas opções A e B você passa para os clientes C. Já deu pra entender o sistema, não é? Pensei aqui com meus botões que deve existir o porão dessa pirâmide, os clientes D, dos quais a gente foge na velocidade da luz, tipo os mencionados no post anterior.

Pelas minhas contas, tenho 5 clientes A, para os quais evito ao máximo dizer não. Eles me ocupam bastante, conheço os gerentes de projeto, tenho como negociar prazo em caso de necessidade porque eu quero prestar o serviço pra eles e eles querem que eu seja a tradutora daquele projeto. Meus clientes B são dois ou três clientes diretos no Brasil que me pagam um pouco menos e aceitam um prazo maior, então posso encaixá-los entre meus clientes A, e também alguns clientes com um prazo de pagamento não tão bom assim. Na faixa B também estão uns clientes esporádicos, que me mandam trabalho algumas poucas vezes por ano. Em geral, meus clientes esporádicos são agências que não têm grande volume de tradução inglês>português e acho que em todas elas eu sou uma das pouquíssimas prestadoras de serviço de tradução médica nesse par de idiomas. Ao todo, acho que tenho uns 15 clientes B, e todo mês um ou outro deles aparece.

Fora esses, sempre tento aumentar minha base de clientes. Sempre que consigo mando currículos, faço testes, preencho formulários nos sites de agências. Este ano assinei contrato com 6 clientes novos, 4 dos quais já mandaram serviço. Por enquanto ainda não sei se serão clientes A ou B…

Por outro lado, tenho um cliente que pulou de A, com projetos interessantes, bem pagos e prazo de pagamento decente, para B-. Os assuntos continuam interessantes (estudos de vacinas de HIV, adoro!), mas depois de tomarem chá de sumiço por uns dois anos, queriam me pagar menos do que em 2006-2007. Não aceitei traduzir, mas consegui que me pagassem bem por palavra da revisão, e infelizmente para a profissão, mesmo não ganhando muito bem, os tradutores deles dão conta do recado bem o suficiente para eu ganhar por hora o mesmo que com meus clientes A. Eu gostaria que esses tradutores estivessem ganhando melhor, porque eu não aceitaria trabalhar numa área tão específica por tão pouco. Acho que se eu não valorizar minha capacidade e minha experiência, dificilmente o cliente vai virar pra mim e dizer: Juliana, eu quero aumentar sua tarifa porque você é o máximo. Já aconteceu de um ou outro colega dizer que o cliente aumentou os preços espontaneamente, mas normalmente EU é que tenho que virar pra ele e dizer que estou aumentando o preço.

28
jun
10

Backtranslation, quem sabe o que é?

A tradução médica vai bem além do consagrado processo TEP (Translation – Editing – Proofreading), e pode incluir etapas exigidas pela regulamentação de saúde, tais como back-translation, validação de questionários e “harmonização”, entre outros.
Se você já trabalha na área médica ou que fazer traduções médicas, tem que saber o que é.

Vou falar da harmonização e da validação de questionários em outros posts. A back-translation ou retrotradução é uma exigência dos organismos que regulam pesquisas clínicas para garantir que a mesma coisa que se disse na ida foi dita na volta. Em geral o tradutor que faz a back-translation não tem acesso ao documento que originou a tradução que ele tem em mãos, ele faz uma nova tradução, de volta ao documento de origem. Eu tenho visto muitas back-translations feitas por pessoas que têm como língua materna a língua de partida do documento com quem trabalham, ou seja, um tradutor brasileiro fazendo as back-translations para inglês. Em geral, quando me pedem uma back-translation, me dizem: só queremos o conteúdo, pode ser tradução literal, não se preocupe com estilo. Tenho aqui pra mim que daqui a pouco esse trem vai acabar e as back-translations serão feitas por tradução de máquina.

23
jun
10

Dica preciosa

Agora sou blogueira, tenho que começar a ler sobre como construir e manter um blog interessante. Eu estava prestes a apertar enter, publicar meu post e divulgar meu blog entre amigos quando vi este post , com uma dica preciosa que resolvi seguir. Vou escrever 20 posts antes de lançar mesmo meu blog, o que significa que meu blog, pelo menos no começo, será como um céu estrelado (poético, não?): o que vocês lerem já foi escrito há bastante tempo!

A seguir a tradução do post original em inglês:

Quer começar um blog? Escreva 20 posts!
19 de março de 2010 por Corinne McKay
Sempre que faço apresentações para outros tradutores, percebo que o número de dicas que aproveito ou dispenso é parecido. As sessões da semana passada na Société Française des Traducteurs não foram exceção e eu descreverei algumas dessas dicas recém-adquiridas em alguns próximos posts. Esta daqui é cortesia de Sara Freitas-Maltaverne, autora do famoso blog (escrito em francês) Les recettes du traducteur. Sara, por sua vez, me disse que recebeu a dica de Kelly Rigotti, do blog Almost Frugal.
Sara descreveu uma estratégia simples, porém brilhante, para pessoas que querem lançar um blog: primeiro construir um “inventário” de 20 posts completos e só então publicar o blog. Muitos candidatos a blogueiros minam a própria credibilidade e a facilidade de leitura evoluindo rapidamente (como descrito por Riccardo Schiaffino, em sua apresentação “Blogging 101”) de “Estou tão animado com meu novo blog” para “Aqui está uma prévia dos milhares de posts que estou escrevendo” para “Desculpe, não tive tempo para atualizar o blog nos últimos três meses” até chegar ao silêncio completo.O “inventário de posts” ajuda a evitar isso. Primeiro, se você consegue escrever 20 posts, você provavelmente tem embalo suficiente para continuar a escrever ainda mais, já que o medo de ficar sem ideias é uma preocupação menor quando você já recheou 20 posts. Segundo, se você escrever 20 posts e colocar um por semana no seu blog, terá cinco meses de material. Com esses 20 posts, você estará muito à frente dos três ou quatro posts que muitos blogueiros postam antes de cair no esquecimento. Adorei esta dica!

24
mar
10

Primeiro

Fui ao Congresso da Abrates no fim de semana e saí com uma resolução: começar um blog sobre traduções médicas. Pronto, comecei.

Vou precisar de um tempo até tomar pé de como funciona tudo por aqui, mas o pontapé inicial está dado.

Este blog é para tradutores em geral, mas puxarei a brasa para a minha sardinha, a medicina. Vou aproveitar este espaço para divulgar artigos em inglês sobre o assunto e se eu gostar de um artigo e o autor me der permissão, vou traduzir e colocar aqui.

E, cerejinha do bolo e agradecimentos à ideia vão para a Cláudia e o Roney, que deu uma palestra muito bacana no congresso.

Se alguém vier visitar, deixe um comentário. Conto com a ajuda de vocês, então me digam o que querem saber sobre tradução médica e tentarei ajudar.




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